Sua mente está preparada tanto quanto seu corpo para encarar os desafios? Veja como fazer dela uma poderosa aliada em suas corridas.
Você define uma meta - correr 3, 5, 10, 42 quilômetros. Foca no treinamento físico, seu corpo responde bem aos exercícios e, ao final, parece estar 100% para enfrentar qualquer desafio. Mas será que sua cabeça acompanhou o ritmo? Longe de querer ser uma reportagem de auto-ajuda, nosso objetivo aqui é mostrar que além de acumular quilometragem você deve "treinar" sua mente. Essa "preparação psicológica" - que envolve desde mentalizar imagens positivas a controlar as emoções antes e durante uma prova ou treino importante (como um longão) -, pode ajudar consideravelmente em sua próxima corrida.
Por meio das mais diversas pesquisas, cientistas já mostraram o quanto a mente tem influência sobre o corpo e o bem-estar. Uma delas, inclusive, foi realizada com atletas. Em um primeiro momento eles eram convidados a repetir a seguinte frase: Meus braços são fracos, meu corpo pesa muito, estou em má forma. Em seguida, tinham de fazer flexões de braços. O desempenho foi péssimo para todos. Algumas horas mais tarde, foram orientados a trabalhar a cabeça de maneira mais positiva: Meus braços são fortes, meu corpo é leve, estou em boa forma. Na hora das flexões, os resultados foram surpreendentemente melhores.
"Apenas o fato de pensar em um evento estressante, negativo ou de muito medo já dispara em nosso organismo uma série de mudanças bioquímicas e físicas (cortisol, adrenalina, tensão muscular, respiração ofegante, batimentos cardíacos acelerados), que alteram cérebro e corpo, a fim de reagir prontamente, se defendendo. Essa reação tem o nome de luta ou fuga e é produto da evolução da espécie humana", explica a psicóloga do esporte Carla Di Pierro, do Instituto Vita, de São Paulo.
SOMOS UM SÓ. De atletas de elite a corredores comuns, somos corpo e mente, não apenas um ou outro. "A visão dualista de Descartes é ultrapassada, mas muitos insistem em enxergar corpo e mente separados, o que é um grande erro. O bom atleta é bem preparado física e emocionalmente para lidar com os treinos e a competição. E assim como treinamos o corpo e ganhamos condicionamento, podemos treinar como agir, o que pensar e como se comportar durante a corrida", orienta Carla Di Pierro.
Segundo Daniela Szeneszi Lops, psicóloga do esporte e mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina, a cabeça pode ser treinada desde o primeiro dia em que você começa a correr. "O corredor deve traçar objetivos bem simples e alcançáveis, para ir aumentando a motivação e a autoconfiança, como por exemplo correr três quilômetros sentindo-se bem. Ou seja, tire um pouco o foco da performance e desloque-o para as sensações na hora do exercício. Isso vale para qualquer quilometragem", diz a especialista.
A maneira de interpretar e valorizar os eventos que acontecem ao redor do seu treino e como seu corpo está no momento é outro fator importante para a "malhação mental". Afinal, a cabeça segue nossas instruções. Se você se enxerga cansado, se arrastando, muito provavelmente é isso que vai acontecer. Ao contrário, se mentaliza boas passadas, respiração ritmada e postura, suas chances de correr melhor aumentam, porque seu cérebro entende que é assim que é para fazer. "Alguns atletas se imaginam como super-heróis correndo e isso os ajuda a manter postura interna e externa para ter melhor performance e motivação", acredita Daniela Lops.
Em uma competição, a tática também é válida. A psicóloga do Instituto Vita conta que é como se a gente usasse uma ‘lente de contato': se você valoriza a corrida como uma prática saudável e compete porque sente prazer, a prova será interpretada por esta ‘lente' como algo positivo e prazeroso. Agora, se você enxerga a competição como ‘o grande momento de aprovação da sua vida, algo penoso e difícil', provavelmente não vai se motivar a correr uma prova ou competirá com muito esforço e dificuldade, levando a alta ansiedade e ficando muito vulnerável às sensações de dor e fadiga.


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