
Professora
Ricardo Chester é um publicitário que conheci pela revista e pelo blog. Corredor novo, fez sua primeira maratona em Chicago no ano passado. Completou a prova em mais de 4 horas, se divertiu e até escreveu um belo texto (Chicago, Chicago) sobre o público da cidade. Ele treina no Parque do Ibirapuera nos mesmos horários que eu. Acompanho a sua concentração nos treinos. Chester foi para Porto Alegre com a intenção de se tornar um sub 4 horas em sua segunda tentativa. Não conseguiu, depois dos 30 km o urso gaúcho pulou no pescoço do nosso amigo que sofreu com um calor de mais de 20 graus fora de época. E, na luta dos últimos 12 km, o tempo final foi para 4h33min. Esperava um email aborrecido de quem treinou bastante e não alcançou um objetivo. Definitivamente não. Chester elogiou a prova, a cidade (e aí fiquei orgulhoso também) e fez uma autocrítica bem humorada. Quem consegue aprender com as derrotas ganha o meu respeito. É o caso dele.
A maratona é uma professora. E das boas. Daquelas que passam duras lições de casa todo dia, e tomara que você as faça. Não tente ludibriá-la. A professora não perdoa. E, como toda boa mestra, sempre percebe. Se você vai encarar a prova que esta professora vai lhe passar, comporte-se. Vá a todas as aulas que puder, faça todos os exercícios, todos os simulados. E não estude apenas a matéria que você mais gosta. Porque esta professora leciona matemática, física, biologia, história, química, geografia, filosofia, psicologia. E não apenas educação física, como muitos que não a conhecem poderão supor. Você nao precisa ser o primeiro da turma desta professora. Não precisa adular. Ela não está nem aí para isso. Mas, decisivamente, melhor você tentar não ser o espertinho da classe. A professora impõe respeito. Muito respeito. Não que a professora se importe com deboche. Ela sabe que, no seu caso, o deboche sempre ridiculariza quem o faz. Sempre. Eis então que chega o grande dia. Um teste de horas e horas, com questões que vão ficando mais e mais duras justamente na hora que a concentração teima em diminuir. Neste dia, haverá os que sairão mais rápido. Uns porque simplesmente desistirão, deixando muitas respostas em branco. Outros, terminarão mais cedo por terem seguido toda a cartilha. A grande maioria terminará e ficará realizada. Rápidos ou nem tanto, os bons alunos voltarão para casa com uma medalha dentro do peito: a certeza de que melhores notas são aquelas tiradas das professoras mais difíceis."
Ricardo Chester é um publicitário que conheci pela revista e pelo blog. Corredor novo, fez sua primeira maratona em Chicago no ano passado. Completou a prova em mais de 4 horas, se divertiu e até escreveu um belo texto (Chicago, Chicago) sobre o público da cidade. Ele treina no Parque do Ibirapuera nos mesmos horários que eu. Acompanho a sua concentração nos treinos. Chester foi para Porto Alegre com a intenção de se tornar um sub 4 horas em sua segunda tentativa. Não conseguiu, depois dos 30 km o urso gaúcho pulou no pescoço do nosso amigo que sofreu com um calor de mais de 20 graus fora de época. E, na luta dos últimos 12 km, o tempo final foi para 4h33min. Esperava um email aborrecido de quem treinou bastante e não alcançou um objetivo. Definitivamente não. Chester elogiou a prova, a cidade (e aí fiquei orgulhoso também) e fez uma autocrítica bem humorada. Quem consegue aprender com as derrotas ganha o meu respeito. É o caso dele.
A maratona é uma professora. E das boas. Daquelas que passam duras lições de casa todo dia, e tomara que você as faça. Não tente ludibriá-la. A professora não perdoa. E, como toda boa mestra, sempre percebe. Se você vai encarar a prova que esta professora vai lhe passar, comporte-se. Vá a todas as aulas que puder, faça todos os exercícios, todos os simulados. E não estude apenas a matéria que você mais gosta. Porque esta professora leciona matemática, física, biologia, história, química, geografia, filosofia, psicologia. E não apenas educação física, como muitos que não a conhecem poderão supor. Você nao precisa ser o primeiro da turma desta professora. Não precisa adular. Ela não está nem aí para isso. Mas, decisivamente, melhor você tentar não ser o espertinho da classe. A professora impõe respeito. Muito respeito. Não que a professora se importe com deboche. Ela sabe que, no seu caso, o deboche sempre ridiculariza quem o faz. Sempre. Eis então que chega o grande dia. Um teste de horas e horas, com questões que vão ficando mais e mais duras justamente na hora que a concentração teima em diminuir. Neste dia, haverá os que sairão mais rápido. Uns porque simplesmente desistirão, deixando muitas respostas em branco. Outros, terminarão mais cedo por terem seguido toda a cartilha. A grande maioria terminará e ficará realizada. Rápidos ou nem tanto, os bons alunos voltarão para casa com uma medalha dentro do peito: a certeza de que melhores notas são aquelas tiradas das professoras mais difíceis."

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